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Xavier Galezowksi
(1886) desenvolveu uma lente de contato gelatinosa contendo uma solução
a base de cocaína e cloreto de mercúrio, muito utilizada
na época em pós-operatórios.
Em 1889, na Universidade de Kiel, Alemanha, August Müller, durante
sua tese de Doutorado, descobriu a importância da boa circulação
da lágrima para o uso bem sucedido das lentes de contato, permitindo
então que Joseph Dallos, na década de 30, observasse que
as lentes que se movimentavam com o piscar eram mais bem toleradas que
aquelas que pouco se moviam ("apertadas").
Cleber Godinho (Belo Horizonte), ao ministrar suas aulas a partir da década
de 90, desenvolveu novas técnicas de adaptação das
lentes rígidas, conseguindo-se assim excelente qualidade de visão
e conforto em seus pacientes, chamada carinhosamente por seus discípulos
de "padrão CG", com reconhecimento internacional.
Muitos materiais foram e continuam sendo pesquisados, sendo que algumas
LC de hoje permitem uma boa transmissão de oxigênio através
de seu próprio material, e que quando bem adaptadas pelo médico
for possível manter boa circulação do filme lacrimal,
permitem inclusive o seu uso durante o sono, evitando o transtorno do
manuseio e manutenções diárias.
Uma das maiores evoluções das LC refere-se ao desenvolvimento
das lentes de contato multifocais, que permitiu aos pacientes com mais
de 40 anos, portadores de "vista cansada" (presbitas), que antes
eram obrigados a realizar a monovisão (um olho "bom para longe"
e o outro "bom para perto") a poderem enxergar bem com ambos
os olhos tanto para longe quanto para perto. Foi possível então
dar uma excelente qualidade de visão aos pacientes desta faixa
etária, sem o inconveniente uso dos óculos, um verdadeiro
estorvo nos dias atuais, já que as pessoas acima dos 40 anos hoje
praticam esportes e freqüentam academias de ginástica com
mais assiduidade que em décadas passadas e anseiam cada vez mais
por uma aparência mais jovial.
Fator importante das LC multifocais é que a maior parte da composição
de seu material é feita a base de água, tornando tais lentes
extremamente confortáveis. Outra vantagem é que com elas
o paciente não necessita ficar adotando posições
com a cabeça para ler ou focar algum objeto, como ocorre com o
uso dos óculos multifocais.
O verdadeiro segredo das LC multifocais baseia-se em dois aspectos: (1)
sua tecnologia de engenharia e concepção; (2) o conhecimento
científico e das técnicas de adaptação desta
lente ao olho do paciente, por parte do médico oftalmologista.
Cabe ainda lembrar que a adaptação de lentes de contato
é ato médico indelegável, conforme dispõem
os decretos 20.931/32 e 24.492/34, o Conselho Federal de Medicina e o
Código de Ética Médica, sendo que a adaptação
por pessoas não médicas é considerada prática
ilegal da medicina, podendo comprometer a saúde ocular do paciente
de forma grave e irresponsável. Converse com o seu oftalmologista.
Brunno Santos é médico-oftalmologista.
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