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Foi Roetth, em 1950, que
criou o termo "olho seco", para as formas brandas de deficiência
lacrimal.
A síndrome do olho seco é uma deficiência do filme
lacrimal, qualitativa e/ou quantitativa, que resulta no ressecamento da
superfície ocular, causando ardor, sensação de areia,
sensibilidade à luz (fotofobia) e vermelhidão (hiperemia).
É a doença mais frequente na prática oftalmológica
em todo o mundo.
O filme lacrimal é formado por 3 camadas, uma aquosa, outra de
mucina e a terceira lipídica, na proporção respectivamente
de 99.78%, 0.2% e 0.02%.
A lágrima tem várias funções tais como a lubrificação
e umidificação da superfície do olho (a conjuntiva
e principalmente a córnea), o transporte de oxigênio e nutrientes,
o auxílio na refração luminosa, o auxílio
também na cicatrização, e na defesa e proteção
dos olhos contra partículas e micro-organismos do meio ambiente.
O ato de piscar distribui a lágrima pela superfície ocular
como uma película, o filme lacrimal, que instantes após
se rompe e é refeito em um novo piscar, que se repete em média
15 vezes por minuto.
Várias são as etiologias que ocasionam o olho seco, entre
elas a blefarite; a diminuição da frequência do piscar,
comum nos leitores costumazes e nos usuários de computadores; as
condições ambientais como o vento ou o ar condicionado;
o envelhecimento; o herpes ocular; doenças reumáticas, alérgicas
ou inflamatórias; doenças da tireóide; o efeito colateral
de medicamentos, principalmente os de uso contínuo, sejam sistêmicos
ou locais, estes últimos principalmente se contiverem conservantes;
e o pós-operatório de cirurgias oculares, principalmente
as refrativas (de redução de grau).
O uso de lentes de contato, igualmente, pode provocar algum ressecamento
ou agravar o pré-existente, por várias formas, mas principalmente
por produzir hiposensibilidade corneana. O oftalmologista pode
fazer o diagnóstico com o uso de produtos como Fluoresceína
ou Rosa Bengala, analisando o tempo de rutura do filme lacrimal, ou também
com o uso do Teste de Schirmer, que consiste no uso de uma pequena fita
de papel especial colocada no olho e medindo a sua umidificação,
ou simplesmente pelos sintomas e observação ao Biomicroscópio,
pelas evidências.
As diversas enfermidades atacam de forma peculiar as diferentes partes
da película lacrimal.
O tratamento tradicional consiste no uso das chamadas "lágrimas
artificiais", e existem várias, o que significa que nenhuma
é a ideal por enquanto, e elas variam suas fórmulas, algumas
contendo celulose, outras o álcool polivinílico, algumas
com uma combinação de substâncias lubrificantes. Os
conservantes porém, existentes nelas, costumam ser tóxicos
principalmente para o epitélio corneano. O soro fisiológico
é uma boa indicação de uso. A vitamina A é
de algum valor.
Deve-se tratar a inflamação das pálpebras (blefarite)
sempre que esta estiver presente.
Um novo tratamento, atualmente, consiste no uso da ciclosporina tópica,
que reduz a reação inflamatória das glândulas
lacrimais, aumentando a produção da lágrima, com
os pacientes exibindo melhoras em torno de 1 a 3 meses, período
em que o uso concomitante de uma lágrima artificial de forma decrescente
tem boa indicação, necessitando entretanto que o colírio
de ciclosporina seja usado por no mínimo seis meses.
O acompanhamento frequente do oftalmologista é fundamental, para
melhor direcionar o tratamento, indicar a melhor lágrima artificial,
e tratar as reações inflamatórias intercorrentes.
O embaçamento visual que melhora ao piscar e depois torna a embaçar,
ou melhora com a umidificação artificial, é dado
bastante sugestivo. O olho seco é de ocorrência frequente
na menopausa e muito comum na 3º idade. É relação
médico-paciente por toda a vida.
Wellington Santos
Oftalmologista
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